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Epidemia de cólera em Moçambique soma 76 mortos e 6.700 infetados em seis meses

Epidemia de cólera em Moçambique soma 76 mortos e 6.700 infetados em seis meses

Moçambique registou 89 casos de cólera e um morto em 24 horas, somando 6.712 infetados e 76 óbitos em seis meses da atual epidemia, indicam dados da Direção Nacional de Saúde Pública.

Lusa /
Amilton Neves - Reuters

De acordo com o mais recente boletim sobre a evolução da doença, da DNSP, com dados de 03 de setembro a 28 de fevereiro, do total de 6.712 casos contabilizados neste período, 2.944 foram registados na província de Nampula, com um acumulado de 36 mortos, e 2.425 em Tete, com 28 óbitos, além de 996 em Cabo Delgado, que totaliza oito mortos.

Em menor dimensão, o acumulado indica 116 casos e um morto na província da Zambézia, 100 casos e dois mortos em Manica, 129 casos e um morto em Sofala, um caso na cidade de Maputo e outro na província de Gaza.

Só nas 24 horas anteriores ao fecho deste boletim (28 de fevereiro), foram confirmados 89 novos casos, com a taxa de letalidade geral nacional a situar-se em 1,1%. No mesmo período, foram contabilizadas 83 altas, enquanto 133 pessoas estão atualmente internadas, sendo que o óbito ocorreu no distrito de Nacala Velha, província de Nampula.

No surto anterior, entre 17 de outubro de 2024 e 20 de julho de 2025, tinham sido registados 4.420 infetados, dos quais 3.590 em Nampula, e um total de 64 mortos, pelo que o atual já supera o número de doentes e de óbitos, em metade do tempo.

As autoridades sanitárias moçambicanas assumiram em 19 de fevereiro que o país enfrenta uma epidemia de cólera, com a doença então já presente em 22 distritos, avançando com uma campanha de vacinação de 3,5 milhões de pessoas.

"O país tem uma epidemia, claramente, porque temos vários surtos em vários locais. A definição de epidemia é quando temos vários surtos juntos, então sim, temos", disse o diretor nacional de Saúde Pública, Quinhas Fernandes, numa conferência de imprensa em Maputo.

O responsável explicou que está em curso uma campanha de vacinação contra a cólera na cidade de Tete e em Moatize, na província de Tete, e nos distritos de Eráti e Nacala Porto, em Nampula.

"Em Tete estamos a vacinar dois distritos e em Nampula outros dois. Inicialmente recebemos 2,5 milhões de doses, que estão a ser alocadas às duas províncias, e dentro de uma semana e meia vamos receber 750 mil doses adicionais. No total, serão 3,5 milhões de doses para vacinar estes quatro distritos", afirmou.

O Governo de Moçambique pretende eliminar a cólera como problema de saúde pública até 2030, segundo um plano aprovado em 16 de setembro pelo Conselho de Ministros e avaliado em 31 mil milhões de meticais (418,5 milhões de euros).

O objetivo é "ter um Moçambique livre da cólera como problema de saúde pública até 2030, onde as comunidades têm acesso a água segura, saneamento e cuidados de saúde de qualidade, alcançados através de ações multissetoriais, coordenadas e informadas por evidências científicas", declarou então o porta voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa.

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